O projeto Paisagens Contemporâneas é um projeto multimídia, com vários setores de atividades colaborativas que constroem um percorrer distinto do habitual nas nossas paisagens. Distinto porque nos convida a mudar de lugar ou cambiar as lentes que nos permitem usufruir sensorialmente de um espaço físico.

         O projeto Paisagens Contemporâneas, aprovado na Lei Murilo Mendes de incentivo a cultura, visa observar o cotidiano da cidade, do vivente que a ocupa de maneiras múltiplas. Em algumas de suas ações o trabalho busca dilatar-se entre a instituição artística e a transitoriedade urbana, adquirindo caráter móvel e/ou itinerante.

         O anexo móvel I ocorreu nos dias 26, 27 e 28 de maio, no evento do Corredor cultural. Todos os ônibus da cidade de Juiz de Fora foram ocupados com Fotografias em estilo cartaz por pelo menos 2 dias. As imagens criavam diálogos entre andante e o conjunto de monumentos da cidade, entre o retrato e o documental as fotografias de Gabriela Maciel transmutavam o observador e o observado para lugares múltiplos.

              Estátuas são feitas de pedras, imóveis, habitam o local onde foram fincadas, sem o poder de ir e vir. Já pessoas são o próprio movimento da cidade. Enquanto prédios, praças, construções permanecem parados, há pessoas circulando, rodando, grafitando e dando vida àquela arquitetura, também feita de pedra. Há nas estátuas um simbolismo paradoxal e conflitante, sendo assim, os amigos Gabriela Maciel, Francisco Brandão e Alice Rodrigues, todos estudantes de artes e design do IAD – UFJF, colocarão as estátuas junto às pessoas circulando pela cidade, através dos ônibus urbanos.

 

                Nenhum evento foi criado sobre a intervenção fotográfica, a fim de causar surpresa, mas espero que se surpreendam mesmo com o spoiler deste texto. Lá no quadro dos ônibus, destinado aos cartazes, sutilmente, estarão coladas as fotografias de Gabriela. “Paisagens contemporâneas” quer mostrar a vinculação da arquitetura com as pessoas, o lado íntimo e pessoal das cidades de concreto. O processo foi bastante espontâneo, as pessoas que estão nos retratos foram sendo abordadas nas ruas dos centros e bairros de Juiz de Fora, e fotografadas a fim de comporem a exposição com que elas mesmas poderão se deparar nos próximos dias durante o Corredor Cultural.

A ação foi realizada em 610 ônibus circulares  impressos em papel reciclável,  transformando os veículos não apenas em meios de locomoção, mas em um suporte para a reflexão, para o suspiro, a arte fluindo na vida cotidiana.

Por Carime Elmor

25/05/2017